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Spinning nas Rochas

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Spinning nas Rochas

Mensagem  Bruno Martins em Qua 25 Abr 2012 - 0:41



As emoções fortes, suscitadas pela subida de adrenalina, quando, movidos pela paixão da pesca, saímos de casa ainda a cidade dorme ou os amantes do sol já regressaram ao recesso do lar, podem ficar ao rubro durante uma jornada de spinning aos robalos nas rochas.
Este avivar da paixão é motivado, sobretudo, pela ambiguidade criada entre as condições propícias à presença do nosso adversário” e a hostilidade do ambiente.
Nesta área, sabemos que não existem verdades absolutas e que, ao fazermos determinadas opções, estamos a tentar encontrar o nosso perfil enquanto pescadores desportivos e a responder a múltiplas condicionantes.
São diversas as possíveis sugestões relativamente à escolha de materiais que respondam às exigências de uma prática como o spinning nas rochas. Esta é apenas uma entre várias.

Canas



Para a prática do spinning em zonas rochosas, opto pelo uso de canas entre os 270 e os 300 e, quando pesco com vinil, escolho,
habitualmente, canas mais curtas, entre os 210 e 240. Esta minha preferência relaciona-se com diversos factores, nomeadamente uma maior facilidade durante o transporte da cana pelas rochas, a precisão alcançada no lançamento da amostra, assim como a
possibilidade de uma animação mais dinâmica.
O casting weight das canas normalmente varia entre os 10 a 30gr e os 15 a 40gr. No entanto, quando optamos pela utilização de vinis, se usarmos um casting weight mais baixo, rentabilizaremos o desempenho.

Carretos



Quanto aos carretos, tendo como referência a marca Shimano, opto normalmente pelo tamanho 4000. Note-se que é importante ter em conta o peso, pois a leveza do carreto traduz-se num menor cansaço, após vários lançamentos. De forma a alcançar uma rápida
recuperação, podemos optar por um carreto com um ratio 5.1, que se revela bastante eficaz quando é necessário tirar seio à linha ou afastar a amostra de junto das rochas.

Fios



A minha preferência vai para binómio multifilamento/fluorocarbono.
O multifilamento possibilita a utilização de diâmetros menores com cargas de ruptura superiores, proporcionando lançamentos mais
longos. Outra das suas características é a falta de elasticidade, que se revela vantajosa, pois permite que o pescador sinta melhor o
“trabalhar” da amostra, assim como o ataque do peixe, o que desencadeia uma ferragem mais rápida, uma vez que não existem nem perdas de transmissão das vibrações nem de energia, através da elasticidade, ao longo do fio, possibilitando um maior controlo na acção de pesca.
Quanto aos diâmetros, opto por 0.17 mm para o multifilamento e 0.33 mm a 0.37 mm para o fluorocarbono. A menor capacidade de
resistência à abrasão do multifilamento é resolvida com o uso de um "chicote" fluorocarbono. Acresce também como vantagem deste fio a sua invisibilidade.

Nós



Para a união entre o multi e o fluorocarbono, uso o nó albright, mas existem outras opções, de acordo com o gosto de cada pescador, sendo sobretudo relevante a confiança no nó que executamos, de modo a não arriscar a perda do peixe.

Vestuário e outros equipamentos





Neste tipo de pesqueiros, o vestuário mais indicado será um fato de mergulho ou fato de vela, dependendo a opção, por um lado, das condições meteorológicas e, por outro, do facto de termos ou não de entrar dentro de água (se usar vadeador ter o cuidado em apertar o cinto da cintura).
O uso de casaco impermeável e gorro evita alguns banhos desagradáveis, assim como as botas de neoprene são importantes
para manter a temperatura, pois a sua descida é meio caminho para a jornada de pesca terminar mais cedo.
No caso de pescar durante a noite, uma lanterna frontal é a melhor opção, possibilitando a liberdade de mãos.
Como garantia de segurança, para quem sobe e desce falésias, a mochila ou colete são sempre as escolhas mais vantajosas, pois
existe um maior equilíbrio do peso, para além de ser mais difícil ficar preso em alguma rocha ou embater contra algum obstáculo,
desencadeando uma queda.


As vantagens do uso das luvas vão para além de evitar o frio, sendo úteis quando precisamos de nos apoiar numa rocha ou partir um multifilamento, se este ficar preso, evitando-se usar o próprio carreto e protegendo-o consequentemente. São, ainda, funcionais quando a jornada está no bom caminha e precisamos de deitar a mão a um robalo, impedindo possíveis ferimentos com as barbatanas dorsais e opérculos e o contacto com as fateixas.
O uso de alicate é sempre uma mais valia quando precisamos de mudar uma fateixa ou mesmo de retirar uma amostra do robalo,
evitando assim acidentes. Mas quando não conseguimos impedi-los, o alicate vai ser uma preciosa ajuda se necessitarmos cortar uma fateixa para a poder retirar da mão.

Amostras



Amostras e suas caracteristicas

As poppers e passeantes revelam-se uma boa opção pois são aquelas que perdemos menos, quando estamos a pescar em zonas
baixas rochosas, como acontece frequentemente neste tipo de pesca. Os jerkbaits, as minnows e os swimbaits, também devem
acompanhar-nos nas nossas jornadas. Quanto aos vinis, podemos escolher algumas imitações de peixes e grubs.

Local



As zonas rochosas são locais onde podemos encontrar a fixação e abrigo de variados seres vivos e aí, mesmo com pouca ondulação, estão sempre presentes correntes, desencadeadas pelo facto de as massas de água passarem por zonas mais apertadas..
Sabendo que o robalo não é um peixe de longas perseguições, poupando assim energia na sua caça, o factor corrente revela-se de
muita importância, pois será um meio de remexer os fundos, levantando-os e turvando a água, possibilitando o transporte dos
alimentos.
A conjugação destes factores vai proporcionar o ambiente ideal para o robalo se deslocar durante a caça.

Preparação para uma jornada de pesca



Ao optar por pescar em zonas rochosas, vamos encontrar adversidades que não surgem, à partida, em zonas de areia. Um bom
conhecimento do pesqueiro, pode acarretar diversas vantagens, não só no que concerne às capturas, como também minimizar as perdas de amostras e sobretudo garantir a nossa segurança.
Uma visita durante o dia, com a maré vazia, equipados com óculos de lentes polaróides, vai assegurar, significativamente, um
conhecimento do pesqueiro, tanto relativamente à sua estrutura como à presença ou ausência de alimento. Esse pré-domínio do local permitir-nos-á posicionarmo-nos nas zonas mais vantajosas para pescar, e que permitam a retirada do peixe da água. Sabermos previamente onde existem fundões, coloca-nos numa posição de vantagem, pois o robalo, quando se encontra a caçar em zonas rasas, “gosta” de utilizar locais que garantam a passagem rápida para águas mais fundas. Também ficamos a saber onde se localizam as rochas que ficam quase à superfície, visto estas zonas serem quase sempre “spots quentes” pois, mesmo com mares calmos, existe sempre uma certa turbulência na água. Outro spot a não descurar são as zonas mistas de rocha e areia e caso sejam caneiros serão sempre um bom ponto de partida para lançarmos a amostra.
Não menos importante será o factor segurança, pois pescar nas rochas acarreta mais riscos do que pescar numa praia de areia. A descida de falésias poderá ser uma das vias para aceder a alguns desses locais, e, nesse caso, devemos ter sempre o cuidado de verificar previamente qual é tipo de rocha, de forma a garantir que esta não se vai soltar ou desfazer, quando a agarramos com a mão ou colocamos o pé. Se usarmos cordas para descer, deve verificar-se o seu estado, pois algumas já se encontram nos locais há vários anos e outras não oferecem qualquer segurança ou funcionam apenas como apoio. Se tem vertigens ou não se sente à vontade em descidas íngremes, não arrisque, mesmo que os seus amigos o façam, pois esse facto não o torna melhor pescador. Existem outros pesqueiros com acesso mais fácil. Por vezes associamos a fácil acessibilidade do local ao conceito de pesqueiro “queimado”. Não se esqueça que o robalo é um peixe que anda a caçar como você e optará por estar onde exista comida.
Se pescar durante a noite, a sua visita diurna será igualmente muito útil, e pode escolher dois ou três pesqueiros, pois com a escuridão como cenário nem sempre é boa opção andar a saltitar de rocha em rocha, crescendo a probabilidade de queda.
Com o conhecimento de um pesqueiro e após várias jornadas, é possível saber se há uma maior presença do peixe quando a maré está a vazar ou a encher porque este nem sempre se localiza na mesma posição. Por outro lado, em determinados pesqueiros, o peixe só entra com uma determinada altura de água, independentemente da fase da maré. Na maioria das vezes, as alturas mais favoráveis para pescar de margem são o nascer, o pôr-do-sol e durante a noite. Com o factor “claridade acentuada”, o robalo normalmente escolhe águas mais fundas.

Acção de pesca

Iniciado o nosso percurso e chegados ao pesqueiro, devemos observar tudo que nos rodeia pois, muitas vezes, são estes pequenos
pormenores que determinam o êxito.
Depois de observar o estado do mar, o espaço entre ondas, a cor da água e a existência de possíveis alimentos abundantes, é que se deve escolher a amostra e a cor.
A velocidade de recuperação pode depender da cor da água. A transparência implica uma recuperação mais rápida, e com águas
mais turvas desenvolve-se uma recuperação mais lenta, porque a visibilidade permite ao robalo aperceber-se melhor do engano da
”amostra”. O conhecimento de cada amostra e o domínio de diversas formas de a trabalhar marcam a diferença, pois esta modalidade não se pode limitar ao movimento lançar e recuperar. O “durante” é muito importante, nomeadamente saber manobrar uma popper, e dominar movimentos como o walk the dog, o stop and go, o twitching e o jercking.
Quando iniciamos a jornada, devemos optar por amostras que cubram a maior área possível e que garantam um trabalhar fácil. A
complexificação deve surgir à medida que o tempo avança e se “os amigos” revelarem falta de apetite e de agressividade. Aí revelamonos pescadores precavidos e oferecemos-lhes um banquete mais requintado.
Para utilizar amostras de superfície e amostras com uma palheta bastante curta não é obrigatório que o mar se encontre calmo,
desde que exista espaço suficiente entre as ondas que permita uma animação dinâmica.
Relativamente às amostras de superfície, é importante sentir o peso do peixe na linha para depois efectuarmos a ferragem, porque, por vezes, o pescador retira a amostra da boca do peixe com a emoção de observar o ataque. Note-se que a pesca com amostra implica obrigatoriamente a ferragem, uma vez que as diversas fateixas não garantem a prisão automática, pois as velocidades de entrada e saída da amostra na boca do robalo são proporcionais.
Os vinis permitem efectuar diversas montagens: Weightless (sem peso), tipo Texas ou com jigs de 5 gr a 10 gr.
Os vinis normalmente permitem melhores resultados com mares mais calmos. Em mares mais agitados, podemos optar por jigs mais pesados mas o controlo nem sempre é muito eficaz. Ao utilizarmos vinis lastrados, podemos animá-los, desencadeando movimentos junto ao fundo, arrastando-os ou fazendo-os saltitar mas também podemos trabalhá-los a meia água, durante a recuperação, levando-os a subir e a descer. Com este tipo de amostra é importante ter atenção à velocidade e aos toques de ponteira, visto estas montagens provocarem pouco atrito e a velocidade em demasia desencadear a fuga da amostra ao robalo. Para facilitar as ferragens, devemos tomar especial atenção mesmo às mais subtis movimentações da linha, pois poderemos antecipá-las antes de sentir o peixe na ponteira da cana. A ferragem convém ser enérgica, principalmente quando estamos a pescar com o bico do anzol escondido no vinil.

A Luta

Após a ferragem, surge um dos pontos altos desta tenção entre o pescador e o peixe, ou seja, a luta, momento em que teremos de
controlar não só o robalo mas também as nossas emoções e as nossas escolhas. Ao lutarmos com o predador, devemos estar
conscientes de que não é apenas o carreto que trabalha mas sim o conjunto cana/carreto.
Nunca devemos apontar a ponteira da cana ao peixe pois corremos o risco do fio se partir, uma vez que a cana perde o poder de
amortecimento. Nos casos em que o robalo vem à superfície, sacode a cabeça, e verificamos que está preso apenas pela fateixa da
traseira da nossa amostra, o risco de perda vai aumentar, devendo o pescador baixar a cana para um dos lados sem apontar. Devemos procurar um lugar para o retirar quando ainda temos espaço de manobra, podendo aproveitar o movimento das ondas para
conseguir colocá-lo num local mais seguro. Lembre-se de que é preferível perder um peixe do que a vida.
Finalmente, quando temos o robalo na nossa mão, recordemos sempre que a medida mínima legal é 36 cm e que os 42 cm
correspondem à sua idade de maturação sexual e vai, com certeza, querer continuar a pescar e a transmitir os seus conhecimentos às novas gerações de pescadores..
Se dermos uma segunda hipótese a alguns dos nossos “adversários”, proporcionando-lhes o regresso ao seu habitat, podemos sempre iniciar uma nova jornada de pesca com a convicção de que alguns se mantêm na nossa mira. E quanto às grades, facilmente serão esquecidas com a alegria da captura de um bom exemplar.
Pescar, Divulgar e Preservar é o lema a seguir.

in Na mira dos robalos - spinning nas rochas de Alexandre Alves (original publicado na revista “MaisPesca” em Outubro.2008)
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Re: Spinning nas Rochas

Mensagem  cesar santos em Qua 25 Abr 2012 - 3:47

muito bom bruno, mesmo muito bom post!!! Very Happy Very Happy Very Happy

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Re: Spinning nas Rochas

Mensagem  Daniel Santos em Qua 25 Abr 2012 - 13:08

É este ano que exprimentamos isto!!!

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Aos que dizem que o dinheiro não compra a felicidade ... É porque nunca compraram uma arma de pescasub

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Re: Spinning nas Rochas

Mensagem  jose fernandes em Qua 25 Abr 2012 - 15:08

muito bom mesmo

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Re: Spinning nas Rochas

Mensagem  japar em Sex 11 Jan 2013 - 21:10

Talvez o melhor texto que li sobre spinning para iniciantes. Muito obrigado!

japar

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Re: Spinning nas Rochas

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